De novo, novo
11.06.2026—30.08.2026
Curadoria Dereck Marouço
/ RJ
A repetição é a manifestação do impulso. Passo a passo constrói-se um percurso. Cada passo diferente do outro. Ela se manifesta de diversas maneiras nos trabalhos exibidos em De novo, novo, refletem de dinâmicas universais, até as particulares dos artistas participantes. Nas obras, alia-se aos pressupostos de suas mídias e também às ideias metafísicas, referentes ao cotidiano, referentes à vida e à morte, e referentes ao trajeto da carreira do artista, onde a vontade de repetir, e a impossibilidade da execução, acaba por gerar o novo1.

Algumas obras presentes na mostra performam a repetição por meio da alusão à sexualidade, de forma que a imagem estática se conclui em movimento na mente de quem as vê. Ao desejo segue-se o ritmo que outras obras fazem presente pela reincidência de imagens abstratas. A técnica do frottage e a prática do objet trouvé, permitem a recontextualização dos signos e dos objetos ordinários em objetos poéticos – esses trabalhos discutem a medida enquanto forma de repetição e se relacionam diretamente com o cotidiano2. Já outros trabalhos são o amálgama de formas e conceitos distintos desenvolvidos ao longo da produção do artista, que reincidem em diversas obras.







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As feras / Às feras | Ana Neves
26.05.2026—11.07.2026
Curadoria Ariana Nuala
/ SP
“Escrevo como se você estivesse comigo; encaro o perigo; como se estivesse apagando. Vivo como se estivesse morrendo e devo atribuir a quem esse traço?” 

Ana Neves

Há uma continuidade evidente no que a Ana Neves artista faz: pintar, desenhar, escrever, atuar. Nada explica o outro. A escrita não comenta a imagem, ela participa do mesmo gesto. Não funciona como chave, mas como temperatura de um modo de fazer onde afirmar e desfazer caminham juntos.

Os desenhos e pinturas parecem feitos sob pressão. A linha delimita, retorna, reforça, insiste sobre si mesma. Como se precisasse repetir para surgir. Em alguns momentos, quase fere a superfície. Em outros, falha, rareia, deixa o corpo escapar. Há áreas onde a matéria se adensa, a cor acumula, pesa, e outras onde tudo parece prestes a desaparecer.

Antes de se fixar como pintura ou desenho, o trabalho de Ana Neves parece acontecer num outro plano, algo próximo de uma cena em formação, ou mesmo de um estado de rito, onde o corpo, a imagem e a linguagem ainda não se separaram.




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Ainda bem
26.05.2026—11.07.2026
Curadoria Clarissa Diniz
/ SP
Alvaro Seixas
Destroy the art$y world, 2026
Marlon Amaro
Fire walk with me, 2024
Manuel Texeira da Rocha
Sem título, 1900
Marlon Amaro
Mesmo que espelhos pudessem falar, jamais diriam a verdade, 2020
Chico Cunha
O artista e o inferno, 2022/24

Em 1900, Manuel Teixeira da Rocha representou uma família observando Paris através da janela. A luz que invade o ambiente requintado — adornado por papel de parede, vasos de flores, brinquedos e mobiliário elegante — ilumina os olhares melancólicos de uma mulher branca e seus três filhos, confinados à domesticidade da vida familiar. Recobertos pelo fausto de suas vestes, os personagens manifestam, de modo silencioso e ambivalente, seu fascínio e apreensão diante da exterioridade que lhes chega sob a forma da paisagem envidraçada da cidade moderna. Trancafiados na segurança solitária de uma residência luxuosa, encenam as condições em torno das quais se constrói esta exposição: as estruturas de um mundo fundado na propriedade, na separação e no privilégio, orientado pela e para a burguesia.

A partir da experiência da Danielian Galeria com a arte situada entre o século XIX e início do XX, AINDA BEM reúne alguns exemplares da pintura burguesa que adquiriu força política e simbólica no referido período.
 Trata-se de uma combinação entre retrato e pintura de gênero empenhada em consolidar um imaginário da classe urbana então ascendente, que — no Brasil, em especial em cidades como Rio de Janeiro e São Paulo — buscava representar a si mesma como próspera, refinada e culturalmente vinculada à Europa. Através da sensibilidade habilidosa (e não raro criticamente ambígua) de artistas como Moreau, Amoedo, Papf ou Weingärtner, famílias e personagens burgueses emergem no abastado ambiente de salas, bibliotecas e ateliês, protagonizando uma arte de distinção social que hoje se vê confrontada por outros sujeitos, repertórios e projetos. 

Tomamos como pano de fundo a recente emergência de práticas — ou, ao menos, de retóricas — voltadas à equidade de gênero, ao antirracismo, ao enfrentamento das desigualdades sociais e à responsabilidade ambiental, hoje bastante disseminadas pelo chamado mundo das artes. Talvez sintomaticamente, enquanto o planeta arde em guerras, colapsos climáticos e políticas de supremacia racial, em galerias, instituições, feiras, ateliês, coleções e universidades nutre-se a expectativa de que as antigas — e persistentes — tradições elitistas, racistas e patriarcais da arte estariam em crise e, enfim, em vias de dissolução. Portanto, é neste momento de intensificação da sensação de “fim do mundo” que evocamos o imaginário burguês para novamente expor e confrontar suas violências, nas quais a própria arte está implicada. Interessa-nos especular acerca do esgotamento histórico desse modo de organização social e de suas formas artísticas, conjurando a possibilidade de sua desintegração.



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Meet Me Halfway | Nicholas Grafia
09.04.2026—16.05.2026
Curadoria Dereck Marouço
/ SP
À noite sonho em cor.
Há sonhos que me vêm coloridos
E os sonhos em cor — eu LEMBRO.”


Jarman, Derek 
Chroma: A Book of Color

“Essa ‘sinceridade puramente material’ do ritual ideológico externo — e não a profundidade das convicções e desejos íntimos do sujeito — é o verdadeiro lugar da fantasia que sustenta um edifício ideológico.
A noção corrente de como a fantasia opera na ideologia é a de um cenário fantasioso que encobre o verdadeiro horror de uma situação: em vez de uma exposição plena dos antagonismos que atravessam nossa sociedade, nos entregamos à ideia de uma sociedade como um Todo orgânico, mantido coeso por forças de solidariedade e cooperação…”

Žižek, Slavoj 
The Plague of Fantasies

Nicholas Grafia comumente absorve em sua obra a cultura pop e visual para refletir sobre questões identitárias e da história da arte. Suas pinturas e performances geralmente se alimentam mutuamente. Ao mesmo tempo, sua obra atua em um campo de referências interconectadas enraizada na história, na literatura e nas tradições orais. Assim, investiga a influência de diferentes narrativas na legitimação de “verdades”. Suas telas trazem personagens e personalidades de diversas épocas em conversas ficcionais com o objetivo de dar sentido aos fatos que ocorreram em diferentes momentos, do passado em retrospecto, e do momento presente.


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Como vender a Lua | Anna Bella Geiger
31.03.2026—30.05.2026
Curadoria Marcus de Lontra Costa
e Rafael Fortes Peixoto
/ RJ
A lua dos poetas, dos viajantes, dos místicos, dos namorados, dos profetas, dos loucos, de tantos donos e de tantos sonhos. O globo prateado que guia as marés, assim como o sol, ancora no firmamento a conexão do nosso mundo com o universo insondável. Na dança dos astros, seus movimentos organizam o tempo dos fluxos, das colheitas e dos sentimentos. Na memória e nos afetos, a lua é mais do que satélite, é campo simbólico de projeções e ilusões compartilhadas.

Em 1969, em plena Guerra Fria, devaneios de poder e  dominação cravaram no solo lunar o  violento falo da humanidade: a bandeira. Terra dominada fora da terra. Sob a pegada no chão, a fantasia é achatada pela conquista de um território em disputa: a imaginação. Da lua, enfim, podemos nos ver?


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(como me apaixonei por uma linha) | Emilio Azevedo
12.03.2026—30.05.2026
Texto crítico Fernanda Brenner

/ RJ

“A Transamazônica foi o caminho de nossa desumanidade: uma estrada aberta para o nada, pavimentada com os corpos dos índios.”

— Darcy Ribeiro, Os Índios e a Civilização, 1996

Algumas memórias parecem banais até que algo as faz voltar. Penso na hora do recreio na escola, na ansiedade de trocar as notas amassadas por um salgado qualquer. A textura do trocado era sempre a mesma, mas uma semana estampava um gaúcho, na seguinte uma cobra, depois um prédio. Esse era o Brasil dos anos 1990, quando a moeda mudava de nome numa velocidade impensável, Cruzeiro em Cruzado, Cruzado em Cruzado Novo, Cruzado Novo em Cruzeiro Real, como se o país tentasse, a cada vez, se redefinir no papel. De um lado, o perfil austero de um homem. Do outro, quase apagadas na superfície, duas mulheres Karajá. A nota de mil cruzeiros, impressa em 1990, desapareceria em 1993 sem que quase ninguém percebesse.


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Expressão genuína: Giovanni Castagneto
28.02.2026—25.04.2026
Texto crítico Yuri Quevedo
/ SP
As marinhas ocupam um lugar especial na história da arte moderna ocidental. Herdeiras da ordenação pitoresca ou do assombro sublime, elas se constituem como paisagens onde a humanidade elabora sua relação com o mar — porção de água tranquila ou força incontrolável da natureza. Diferente da fumaça das locomotivas, ou do borrão do fluxo urbano, o humor das marés não serve como imagem agradável do dinamismo moderno,  ao contrário, seu ritmo representa uma ordem inexorável e melancólica, que draga tudo para seu âmago. Se a célebre frase “tudo que é sólido se desmancha no ar” descreve a instabilidade das estruturas na nova era, aqui essas mesmas estruturas são corroídas pelo mar — uma força moderna que inevitavelmente nos arrasta para o futuro, nem que seja pela via da ruína.

Giovanni Battista Castagneto é o pintor de sua época que melhor compreende essa força. Nascido em Gênova em 1851, filho de marinheiro e ele próprio embarcado, chega ao Rio de Janeiro em 1874. Três anos depois, passa a frequentar a Academia de Belas Artes, onde obtém medalhas antes de dividir o prêmio máximo da Exposição Geral de 1884 com seu mestre, Georg Grimm, defensor da pintura ao ar livre. Sem recursos, equilibra-se entre os professores mais antigos — em especial Zeferino da Costa, a quem auxilia na Candelária — e o grupo formado em torno de Grimm, que incluía Antônio Parreiras.

Com a morte do pai, em 1886, passa a viver entre uma embarcação-ateliê e a casa de amigos. Consolida-se então sua imagem de artista rude e rebelde
— adjetivos mobilizados para explicar a expressividade das pinceladas, o aspecto tosco dos brancos espatulados e engrossados com gesso, e certa liberdade compositiva. A vida boêmia e os suportes improvisados — tampas de charuto, pratos, embrulhos, até bacalhau seco — reforçam uma aura de genialidade popular, também muito moderna, que renega convenções em favor de uma expressão genuína.


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enquanto se torna | Thales Pomb
28.02.2026—28.03.2026
Curadoria Gabriela Gotoda
/ SP
Paisagens com horizontes e formações aparentemente vegetais, possivelmente geológicas. Cenas internas e externas, de interações humanas e animais. Telas veladas por chassis e caixas, cenas reveladas entre molduras teatrais — esses são alguns dos principais motivos que aparecem na produção recente de Thales Pomb. Suas pinturas, desenhos e esculturas produzem imagens que não podem ser facilmente associadas à realidade. Ao confrontar a tensão entre cor e forma na constituição pictórica, essas obras subvertem a figuração para favorecer o gesto. As figuras, cenas e paisagens se tornam aqui, meios metafísicos para a contemplação do imaginar.

Montando e desmontando liminarmente o espaço-tempo, os campos de cores difusas nas pinturas evocam luzes raras, como a luminosidade oblíqua que envolve o entorno do nascer e do pôr do sol, especialmente na natureza. Essas luzes atravessam o espaço em pouco tempo e apesar — ou por causa — disso, depositam momentos de suspensão, em que tudo está por ser revelado ou ocultado, tudo parece prestes a se transformar. Os contrastes e gradações cromáticas esquematizam fases de uma luz fragmentada, estruturando o espaço-tempo de um gerúndio perpétuo, em que há apenas o possível infinito do momento enquanto ele se torna.




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Guerrilhas Artísticas
13.12.2025—28.02.2026
Curadoria Marcus de Lontra Costa e Rafael Fortes Peixoto
/ RJ
` Guerrilhas Artísticas dá continuidade ao projeto da Danielian que percorre os últimos 200 anos de produção artística brasileira com as exposições Modernidades Emancipadas [2022/23] e Abstrações Utópicas [2023/24], promovendo revisões críticas de questões centrais do cenário da arte e da cultura no Brasil. A partir de uma orientação cronológica, esta mostra irá apresentar artistas e produções realizadas entre as décadas de 1960, 1970 e o início dos anos 1980. A reunião destas obras, libertas de qualquer intenção classificativa, permite a observação das particularidades do ambiente brasileiro deste período em encontro com as vanguardas e movimentos internacionais como a pop americana, a póvera italiana, a nova figuração, a arte conceitual. assim como outras atuações que tiveram a arte como espaço de ação política e social. 

O Brasil urbano e em processo de industrialização, já no final dos anos 1950, apresenta novas estruturas e organizações sociais. Com a ditadura militar, a partir do golpe de 1964, a tensão e o medo passam a fazer parte das relações de convívio, assim como sentimentos antagônicos de cumplicidade através da formação de territórios e comunidades de resistência. Diante do cenário de supressão de direitos individuais, de perseguição e de tortura, a arte para muitos se configurava como espaço de afirmação e de guerrilha. Nas visualidades, obras de forte apelo gráfico fagocitam as linguagens da comunicação em massa e assumem uma postura de denúncia. Da mesma forma, com o aprofundamento em conceitos e noções compartilhadas, o espaço físico se revela como o local da ação, demonstrando as complexas topografias da sociedade brasileira. O corpo e a ação do artista, em última instância, se tornam a principal ferramenta de subversão e de resistência. Ao enfrentar sistemas e circuitos de poder econômico, político e cultural, a arte brasileira marca sua identidade no contexto mundial da segunda metade do século XX. 




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SITUAÇÃO  
06.12.2025—07.02.2026
Curadoria Dereck Marouço e Livia Benedetti
/ SP
` SITUAÇÃO é a primeira exposição do projeto contemporâneo da Danielian. A coletiva propõe uma aproximação entre seus artistas representados e artistas históricos do acervo da galeria, tomando como eixo curatorial o próprio fazer e processo artístico. As obras apresentadas apontam tanto para a prática individual de cada artista quanto à própria história da arte e à crítica ao cânone ocidental, e mostram uma arte em movimento, direcionada a poéticas específicas, parte constituinte do panorama artístico atual para o qual a galeria contribuirá com o seu programa. 

Como colocado pelo filósofo italiano Giorgio Agamben [Roma, 1942]: ser contemporâneo ‘significa ser capaz não apenasde manter fixo o olhar no escuro da época, mas também de perceber nesse escuro uma luz que, dirigida para nós, distancia-se infinitamente de nós’. Instante fugidio postoem evidência, essa luz é capaz de colocar o momento presente em foco. Aqui, o faixo de luz se mostra neste início do projeto contemporâneo da Danielian e reforça a troca entre o passado e o tempo-de-agora. Ao exibir diferentes contribuições ancoradas na atualidade em relação a produções artísticas de outras épocas, a galeria situa ambas as suas frentes de atuação — mercado secundário e primário —, criando terreno sólido para a ampliação de suas atividades. 




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Olhar a floresta, ver a floresta  
18.11.2025—07.02.2026
Curadoria Ivo Mesquita
/ SP
`Embora coincidindo com a abertura da COP30 na Amazônia, esta exposição não pretende nenhuma declaração ou manifesto sobre a questão ambiental. Ao contrário, propõe um espaço de silêncio e contemplação reunindo trabalhos de artistas – pinturas, fotografias, esculturas, instalação – que remetem a uma experiência, uma visão da floresta, para pensar a floresta. Diante do aquecimento global, a despeito dos negacionistas, estamos obrigados a olhar a paisagem natural, reconhecer a crise climática e o colapso ambiental que já se anuncia no presente. A arte nos ensina a olhar. 

A organização espacial propõe um percurso por imagens objetivas, que pontuam o descobrimento e o processo devastador da apropriação e colonização da paisagem originária no país. Parte da primeira impressão registrada pelos viajantes e cientistas do século XIX, a expressão do espanto deslumbrado diante da eloquência da natureza, um cenário de abundância, um monumento aos sentimentos românticos mais arrebatados. Na sequência aparecem imagens do regime de domesticação e exploração das florestas com a extração de madeira, criação de fazendas, urbanização e crescimento das cidades, onde ela é replicada e arremedada pelos parques públicos, chácaras e condomínios, nos jardins privados, e romanticamente metaforizada nos vasos de flores. Sim, mas também imagens distantes da violência devastadora que move a grande economia da mineração, das queimadas e dos defensivos agrícolas.



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Ismael Nery: crônica e sonho
28.08—18.10.2025
Curadoria Tadeu Chiarelli
/ SP
A obra de Ismael Nery (1900-1934) foi divulgada como uma das raras manifestações do surrealismo no Brasil, sendo que alguns não se vexaram em colocar no artista a alcunha de “nosso Marc Chagall”. Não resta dúvida de que Nery constituiu uma poética em diálogo com o simbolismo e o surrealismo e, nessa interlocução, a produção de Chagall foi um parâmetro importante. Mas não apenas.

Resumir Nery a um mero seguidor do artista nascido na atual Bielorrússia é diminuir sua importância e originalidade. Sua produção dialoga com Chagall, é claro, mas igualmente com outros artistas, como o Picasso clássico e outros nomes ligados ao surrealismo e mesmo ao decadentismo do século 19, ainda vigoroso na Europa durante as primeiras décadas do século passado.


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Vicentes — Monteiro: Entre Recife e Paris
(1899–1970)
08.05—05.07.2025 / SP 
07.08—18.10.2025 / RJ
Curadoria Paulo Bruscky
/ SP—RJ
Esta exposição do múltiplo artista Vicente (Paulo) do Rego Monteiro (1899-1970) abrange um recorte da sua produção diversificada e pioneira, como a pintura, o desenho, poemas, poesia visual, livro de artista, fotografia, textos e edições da sua La Presse à Bras, com a qual editou livros primorosos, principalmente no aspecto tipográfico, considerado um dos mais importantes da história das artes gráficas brasileiras. Em consonância com o crítico de arte Walter Zanini, reitera- se, nesta exposição, a ancoragem de Vicente como um dos mais importantes artistas da história da arte brasileira e internacional no século 20. Ao pesquisar a correspondência de Vicente com o galerista Carlos Ranulpho, encontrei, em uma das cartas (datada Barra/RJ, 07 de março de 1970), a solicitação do artista pela sua certidão de nascimento, na qual menciona “meu nome na certidão de batismo (Igreja da Boa Vista) é Vicente Paulo do Rego Monteiro”.

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Rosina Becker do Valle — Verde que te quero ver-te
22.05—19.07.2025
Curadoria Marcus de Lontra Costa e Rafael Fortes Peixoto
/ RJ
Ver o novo, algumas vezes, é apenas um exercício de despir o olhar. As obras de Rosina Becker do Valle nos fazem esse convite. Sua trajetória pessoal e artística ilustra características e desafios que fizeram parte da arte brasileira ao longo do século XX e são fundamentais na estruturação de um pensamento contemporâneo múltiplo e diverso. 

Nas primeiras quatro décadas de sua vida, Rosina dedicou-se aos cuidados da família e da casa, situação recorrente em sua época. Apesar de uma relação íntima com o desenho desde jovem, foi apenas a partir de 1954 que Rosina mergulhou na pintura como expressão de sua criatividade, através das aulas com Ivan Serpa no MAM-RJ. Esse despertar tardio de um potencial artístico latente foi comum e ocorreu com outras artistas mulheres a partir da segunda metade do século XX, como é o caso de Grauben do Monte Lima, Lucia Laguna, Tomie Ohtake, entre outras.

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